Tribalistas triunfam no primeiro álbum ao vivo pela força de canções que unificam 45 mil vozes

“Somos muitos, quando juntos / Somos um só”. Os versos de Um só (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Brás Antunes, 2017), música do segundo álbum do trio Tribalistas, tem o sentido ampliado com a audição do álbum Tribalistas ao vivo.

Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte continuam sendo um só quando juntos com 45 mil pessoas, público do show captado no ginásio paulistano Allianz Parque em 18 de agosto de 2018 para gerar o disco ao vivo que chega hoje, 15 de março de 2019, ao mercado fonográfico, por ora somente em edição digital.

Sobressalente desde o primeiro número, Tribalistas (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002), essa harmoniosa soma de vozes – as dos três cantores com as 45 mil vozes do espontâneo coro popular feito pelo público nas 27 canções alocadas nas 25 faixas do disco – simboliza o triunfo dos Tribalistas. Mais precisamente, o triunfo do cancioneiro dos Tribalistas.

Capa do álbum 'Tribalistas ao vivo', lançado hoje somente em edição digital — Foto: Leo AversaCapa do álbum 'Tribalistas ao vivo', lançado hoje somente em edição digital — Foto: Leo Aversa

Capa do álbum ‘Tribalistas ao vivo’, lançado hoje somente em edição digital — Foto: Leo Aversa

Apresentada há 19 anos com as composições Não é fácil (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2000) e Água também é mar(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2000), única música do roteiro original do show Tribalistas ausente do repertório do disco ao vivo, a parceria de Arnaldo, Carlinhos e Marisa vem produzindo pérolas finas em obra pautada pela cumplicidade fraterna.

A unidade dessa obra é tal que fica difícil apontar nesse cancioneiro onde entra a contribuição de cada compositor. Como se isso importasse para o público que anseia somente reforçar os laços afetivos com os artistas quando fazem coro em Aliança (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Pedro Baby e Pretinho da Serrinha, 2017).

Tribalistas perpetuam o show da primeira turnê em álbum ao vivo produzido pelo próprio trio — Foto: Leo Aversa / DivulgaçãoTribalistas perpetuam o show da primeira turnê em álbum ao vivo produzido pelo próprio trio — Foto: Leo Aversa / Divulgação

Tribalistas perpetuam o show da primeira turnê em álbum ao vivo produzido pelo próprio trio — Foto: Leo Aversa / Divulgação

Como o álbum Tribalistas ao vivo apresenta somente o áudio do show feito na cidade de São Paulo (SP), evidentemente sem o aparato visual orquestrado por Batman Zavareze para valorizar o espetáculo do trio aos olhos da tribo, o disco se escora somente no poder da canção e na primorosa captação do áudio, feita por Daniel Carvalho.

É a canção que paira acima de todos com arranjos e cantos que, no caso de músicas como É você (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002), enfatizam os contrastes dos trinados agudos da sabiáMarisa com os graves emitidos pelas gargantas de Arnaldo e Brown.

Produzido pelo próprio trio e precedido em 22 de fevereiro pelo singlecom o registro de Carnavália (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002), o álbum Tribalistas ao vivo faz a festa do público que curte o trio.

Tribalistas cantam 27 músicas no disco ao vivo gravado em show feito em São Paulo em agosto de 2018 — Foto: Leo Aversa / Divulgação

Para o espectador da turnê que transitou por 26 cidades de nove países em rota que será finalizada em abril, o disco representa souvenir de noite feliz (daí a importância, para colecionadores de discos, da edição futura de DVD com o registro audiovisual que estará disponibilizado de forma oficial na web a partir das 21h de amanhã, 16 de março).

Para quem ficou sem condições de ver o show, o álbum permite testemunhar um momento de real congraçamento entre artistas e público.

Em essência, o caráter do álbum Tribalistas ao vivo é de celebração informal. O que permite a Brown alongar notas em verso de Carnalismo(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Cezar Mendes, 2002) e a incentivar, como se fosse preciso, o coro popular em Velha infância(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Davi Moraes e Pedro Baby, 2002).

Enfim, há canções e há momentos, como já sentenciou o poeta mineiro. Com essas melodiosas canções já atemporais, imunes às modinhas voláteis dos críticos mudernos e dos digital influencers, os Tribalistas vem propiciando momentos felizes para o público como se fossem um só. Até porque, da ralé à realeza, o que todo mundo quer é se juntar no coro feliz de uma bela canção.

Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2019/03/15/tribalistas-triunfam-no-primeiro-album-ao-vivo-pela-forca-de-cancoes-que-unificam-45-mil-vozes.ghtml